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ADJETIVO
Plural da dívida
Quando eu pago minha dívida, fico quite com o meu credor. Agora, se nós pagamos nossa dívida, nós ficamos quites com o nosso credor. A palavra quite é um adjetivo que pode ir para o plural.
Bimensal ou Bimestral?
Um jornalista resolveu criar um jornal bimensal, pensando que o publicaria de dois em dois meses. Engano fatal. Na verdade, qualquer jornal bimensal precisa aparecer duas vezes por mês, o que quadruplica o trabalho. O jornal bimestral, sim, é que será publicado de dois em dois meses. Bimestral tem a ver com bimestre, período de dois meses, como semestral tem a ver com semestre, período de seis meses.
CONTAGIANTE OU CONTAGIOSO?
Contagiante não é exatamente a mesma coisa que contagioso. Um entusiasmo contagiante é aquele que se transmite a todos. Uma doença contagiosa é aquela que muitos podem pegar. Em ambos os casos, trata-se de algo que se espalha com facilidade. Contudo, convencionou-se assim: contagiante para as coisas boas e contagioso para as coisas ruins.
O ADJETIVO QUE FAZ A DIFERENÇA
O adjetivo antes ou depois de um substantivo às vezes pode mudar tudo. Mulher pobre é uma mulher sem dinheiro. Pobre mulher é uma mulher infeliz, mesmo sendo rica. Um homem simples é um homem descomplicado. Um simples homem é um homem como outro qualquer. Certo provérbio brinca com a colocação do adjetivo: Um santo triste é um triste santo. Ou seja: um santo sem alegria é um santo ridículo
COMPREENSIVO OU COMPREENSÍVEL
Para compreender algo, no sentido de perdoar, aceitar, é preciso ser compreensivo e nunca compreensível. Compreensível é aquilo que alguém pode compreender.
BRASILEIRINHO
Diante de um formulário, na parte referente à nacionalidade, o que você escreve? O certo é escrever brasileiro ou brasileira, dependendo do sexo. A exemplo do que se faz para responder à pergunta sobre o estado civil. Se você é homem pode responder solteiro ou casado. Se mulher, solteira ou casada. Nenhuma mulher escreve casado, e, portanto, nenhum homem escreverá brasileira...
ADJETIVOS COM CARA DE ADVÉRBIO
Há adjetivos que permanecem invariáveis porque, ao lado de verbos, substituem os advérbios terminados em mente. É o caso de: ele fala difícil, ele ri gostoso, eu suava frio, nós agüentamos firme, é preciso fazer tudo direito etc.
ADJETIVO DUPLICADO, SUCESSO GARANTIDO!
É uma forma legítima de enfatizar uma qualidade duplicar o adjetivo. Se a flor é muito frágil, podemos dizer que "essa flor é frágil, frágil". Se o céu está muito azul, podemos dizer que "este céu está azul, azul". E se a noite está muito escura, que "a noite está escura, escura". Fica poético, poético...
MAIS MAIOR DE GRANDE...
Não é correto dizer, por exemplo, "esta casa é mais grande que a outra". Neste caso, o adjetivo grande tem um comparativo de superioridade específico: maior. "Esta casa é maior do que a outra", eis o certo. Outros comparativos irregulares: o de bom é melhor, o de mau é pior e o de pequeno é menor.
SEM NEGOCIAÇÃO
Existem adjetivos que não mudam de "sexo". São os chamados adjetivos uniformes. Acompanhando palavras masculinas ou femininas, continuam na sua: casa frágil e homem frágil, mulher feliz e homem feliz, funcionário gentil e empresa gentil, máquina agrícola e planejamento agrícola, adjetivo cruel e gramática cruel.
QUESTÕES DE ORIGEM
Quem nasce em Havana é havanês. Quem nasce em La Paz é pacenho. Quem nasce em Quito é quitenho. Quem nasce na Terra do Fogo é fueguino. E quem nasce na Patagônica só podia ser patagão.
OBRIGADO VOCÊ?
- Muito obrigado.
- Obrigado você.
- Sim, eu estou obrigado, mas você deveria ter respondido "obrigado eu".
- Obrigado eu?
- É, ou então "de nada", dizendo-me que não estou obrigado a nada.
- Ah, obrigado pela dica.
ESTOU A FIM DE ACERTAR O USO DO AFIM
Se você está a fim de acertar, é porque tem vontade de acertar. A fim de equivale também ao para: estudou a fim de obter uma boa classificação no Vestibular. Já afim, uma palavra só, é um adjetivo que se usa em expressões como: pessoas afins, objetivos afins, isto é, pessoas que se dão bem, objetivos congruentes.
ADVÉRBIO
O MELHOR, SE FOR MELHOR, MELHOR VIVERÁ
Na frase acima, a palavra melhor pertence a três categorias gramaticais diferentes. O melhor (substantivo), se for melhor (adjetivo), melhor (advérbio) viverá. Deles, o último é invariável. A frase no plural fica assim: os melhores, se forem melhores, melhor viverão
ONDE OU AONDE?
Dois advérbios diferentes, cada um com seu sentido. A pergunta Onde você vai? é tão errada quanto Aonde você está? E a diferença é simples. Onde indica lugar em que algo ou alguém está. Aonde indica lugar para onde se vai ou se foi. A preposição a, adicionada ao onde, é que dá essa idéia de movimento. Logo, o certo é: Aonde você vai?
ONDE ESTÁ VOCÊ?
Onde, além de advérbio, pode ser usado como pronome relativo, mas apenas no sentido de lugar físico. Por isso não é certo empregá-lo em frases como: o livro onde li essa história; a entrevista onde você falou tudo, e outras semelhantes. O melhor é restringir o onde a esse outro tipo de frase: o país onde nasci ou a terra onde plantei feijão.
DEBAIXO DAQUELA ÁRVORE...
Debaixo é advérbio para indicar o que está em posição inferior ou sob alguma coisa. Debaixo geralmente e seguido da preposição de. Já de baixo, separado, é uma expressão que se opõe a "a cima" ou "de cima": "olhou-o de baixo a cima", "o que de baixo não me atinge" etc.
PORVENTURA E DE REPENTE
Porventura é um advérbio de dúvida (a exemplo de talvez e provavelmente) que não pode nos causar dúvidas: escreve-se com todas as letras juntas, assim como, em contraste, o de repente, advérbio de tempo, que jamais se deve escrever derrepente, como não é raro encontrar.
SÓ PARA COMEÇAR
Qual a diferença entre a princípio e em princípio? A diferença entre esses duas locuções adverbiais é sutil. A princípio diz respeito ao início de algo. Em princípio, por outro lado, diz respeito à convicção que leva alguém a tomar certas decisões. Exemplos: A princípio, ela não aceitava minhas idéias, mas agora aceita. Em princípio, ela não aceita minhas idéias, ou seja, ela realmente não concorda comigo e tem suas razões para não concordar. Em princípio é o mesmo que por princípio. A princípio é só para começar...
SE FOSSE DE GRÁTIS...
É certo falar escrever receba de grátis esse brinde? Não. O certo é utilizar as expressões de graça, grátis, ou gratuitamente. Receba de graça. Receba grátis. Receba gratuitamente. Tudo isso é possível, mas de grátis... nem pagando!
INDEPENDÊNCIA GRAMATICAL
É comum ouvir frases do tipo: "Independente de qualquer coisa eu confio em você". Independente é um adjetivo relacionado com o substantivo "eu". Sendo assim, a pessoa parece dizer: "eu, que sou independente de tudo, confio em você". Melhor é utilizar o advérbio independentemente, relacionando-o com a confiança, com o verbo "confiar". "Independentemente de qualquer coisa, confio em você."
BASTANTE E BASTANTES
Bastante é invariável quando se trata de um advérbio: dormi bastante, comi bastante. Mas bastante pode ir para o plural quando atua como adjetivo: ele tem dados bastantes (suficientes) a meu respeito; ou como pronome indefinido: comemos bastantes (muitos) bifes.

CRASE
MAIS UMA SOBRE CRASE
As regras sobre a crase são várias e devemos aprendê-las aos poucos. Uma delas é que não ocorre crase em locuções formadas por duas palavras repetidas, mesmo estando no feminino: face a face, cara a cara, frente a frente, terra a terra, porta a porta e outras locuções.
MODISMOS
Música à moda de Caetano Veloso, Programas à moda de Sílvio Santos e Missa à moda de Padre Marcelo Rossi são perfeitamente substituídos por: Música à Caetano Veloso, Programas à Sílvio Santos e Missa à Padre Marcelo Rossi.
A CRASE E A CRISE
A crase está sempre em crise. Às vezes não craseamos o a e deveríamos fazê-lo. Mas às vezes craseamos... e não deveríamos fazê-lo. Três exemplos de não-uso da crase: Creusa gosta de andar a cavalo; Creusa comprou um carro a prazo; Creusa ficou a pé. Nos três casos o a não é craseado. Porque antes de palavra masculina (carro, cavalo e pé) o a é apenas preposição, e o à é a contração, a união entre a preposição e o artigo feminino.
A HORA E A VEZ DA CRASE
A crase é um tema difícil mas algumas regras imutáveis ajudam-nos a não errar mais. Uma delas: antes de numeral que indica hora sempre se usa crase. Os exemplos são pontuais: vou chegar às duas da tarde, ou à uma da madrugada, ou às oito da noite, ou às 23 horas, ou à meia-noite, ou à zero hora, mesmo sendo zero uma palavra masculina.
ESTILÍSTICA
MEDICINA GRAMATICAL
Às vezes falamos com imprecisões de sentido, e valeria a pena caprichar. Por exemplo: febre alta. Na verdade, toda febre é temperatura alta. Febre baixa, pelo menos na medicina gramatical, também não existe. Outro exemplo: tirar a pressão. Se uma enfermeira tirar a minha pressão sangüínea eu morro na hora. É bem melhor pedir-lhe para medir a pressão
NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA
É questionável o uso de termos estrangeiros entre nós, se podemos empregar palavras mais nossas. No lugar de delivery podemos usar entrega; no lugar de lobby, grupo de pressão; no lugar de diet, dietético; no lugar de follow-up, acompanhamento... Enfim, é uma questão de know-how!
TIPO ASSIM DE REPENTE MIL COISAS ...
A pobreza de vocabulário se corrige com boas leituras e com muita, muita auto-crítica. No lugar de "tipo assim", expressão comum no linguajar cotidiano, experimente novas opções: "por exemplo", "neste caso" ou "na verdade", e tantas outras.
CHOVENDO NO MOLHADO
Por que canja de galinha se a canja só pode ser de galinha? Por que terçol nos olhos se o terçol só afeta os olhos? Por que elo de ligação se todo elo é de ligação? Por que faraó do Egito se só existiram faraós no Egito? Por que aumentar mais se nunca se soube que algo aumentou menos? Por que principal protagonista se ninguém conhece um protagonista secundário? Por quê? Por quê?
A PALAVRA EXATA
A consulta ao dicionário ajuda a perceber o sentido específico de cada palavra. Uma porta não fechada, pode estar aberta, ou entreaberta, ou escancarada. Outro exemplo: enfadar-se, chatear-se e irritar-se são parecidos mas não se igualam totalmente.
ALÔ? ALÔ? ALÔ?
Diálogos incompletos: - Alô, Felipe está? - Quem deseja? - Quem deseja o quê? - Quem deseja falar com ele? - Ah, meu nome é Gabriel. - Agora ele não se encontra! - Felipe está perdido? - Não, no momento ele não está na sala. - Ah, então depois eu retorno. - Retornar de onde, seu Gabriel? - Não, depois eu volto a ligar. - Ah...
A METONÍMIA E O IBOPE
Metonímia é uma figura de linguagem em que se usa uma palavra no lugar de outra, estando as duas estreitamente relacionadas. Quando eu digo que a novela está sem ibope trata-se de uma metonímia, porque ibope é a sigla do Instituto Brasileiro de Opinião Pública, e o que a novela não tem mesmo é audiência, cujo índice, aí sim, é calculado pelo ibope.
ALIÁS O QUÊ?
É comum que utilizemos a expressão "aliás" para exemplificar um raciocínio: "aliás, isso é o que eu dizia ontem..." Mas, na verdade, deve ser usada como palavra de retificação, no mesmo sentido que "ou antes" e "ou melhor": "o que eu dizia ontem, aliás, anteontem..."
A PARTIR DE AGORA VOU ESTAR ESTUDANDO GRAMÁTICA
Um mau hábito lingüístico (por influência americana) difundiu-se nos últimos anos entre nós. É a mania de dizer: Vamos estar mandando um fax para o senhor; vou estar fazendo uma visita ao doente; vou estar terminando o trabalho hoje à noite... Se um assaltante disser: vou estar assaltando o senhor agora, peça-lhe para empregar a forma direta: vou assaltar o senhor agora. E ponto final.
A METONÍMIA E O IBOPE
Metonímia é uma figura de linguagem em que se usa uma palavra no lugar de outra, estando as duas estreitamente relacionadas. Quando eu digo que a novela está sem ibope trata-se de uma metonímia, porque ibope é a sigla do Instituto Brasileiro de Opinião Pública, e o que a novela não tem mesmo é audiência, cujo índice, aí sim, é calculado pelo ibope.
NUMERAL
UM 2000 COM 2.000 NOVAS IDÉIAS
Escrevemos os algarismos de 1.000 em diante colocando um ponto a cada três algarismos, da direita para a esquerda: 2.000, 2.000.000, 2.000.000.000; mas não na indicação de ano. O certo, aqui, é escrever sem ponto: 1998, 2000, 2790, até o fim dos tempos...
NENHUM NÃO É NEM UM
Nenhum é o contrário de algum e o nem um corresponde a nem (conjunção) um (numeral). Portanto, nenhuma pessoa ficou na cidade é uma frase correta em oposição a alguma pessoa ficou... E nem uma pessoa ficou na cidade também é correta, mas no sentido de que nem sequer uma única pessoa ficou...
INSÔNIA GRAMATICAL
Depois do décimo carneirinho, podemos contar, sem hífen: décimo primeiro, décimo segundo. Depois: vigésimo, vigésimo primeiro, vigésimo segundo, também sem hífen. Depois: centésimo, centésimo primeiro... também sem hífen. E se a insônia for longa, milionésimo, bilionésimo, trilionésimo primeiro, trilionésimo seg undo... e boa-noite!
OS NÚMEROS QUEBRADOS
Os números quebrados só podem levar o substantivo, que porventura os acompanhe, para o plural se forem de dois em diante. Caso contrário, fica no singular: 1,6 milhão, 0,7 metro, 1,8 grau, 0,9 porcentual. Isto é gramática 100%.
ORTOGRAFIA
Não precisa brigar
Existem casos na língua de palavras que podem ser escritas e faladas de duas maneiras igualmente corretas. Assim, tanto faz assobiar ou assoviar, louro ou loiro, catorze ou quatorze, taverna ou taberna, lacrimejar ou lagrimejar, marimbondo ou maribondo, malvadez ou malvadeza, bêbedo ou bêbado.
A DIFERENÇA É QUE ÀS VEZES NÃO FUNCIONA
O acento diferencial foi abolido em 1971. Um exemplo: antes, almôço (refeição) tinha acento para diferenciar-se de almoço (eu almoço). No entanto, em alguns casos a lei não funciona. Pêra (a fruta) continua sendo acentuada para não ser confundida com a antiga preposição pera (equivalente a para), que ninguém mais usa. Ah, e a fruta no plural — peras — ficou sem acento.
UMA REGRA SEM EXCEÇÃO
Uma regra sem exceção: todas as oxítonas terminadas em a são acentuadas nessa letra. Não falha uma: Pará, Paraná, chá, vatapá, gambá, pá, Iemanjá, saravá, fubá, babá, olá, xará, cará, dará, fará etc.
SEXTA-FEIRA TREZE
É apavorante. Esses terríveis homônimos (palavras com pronúncia semelhante mas grafias diferentes) vivem assombrando nossos textos. Um exemplo: cesta, sesta e sexta. Cesta é utensílio de transporte, como a cesta básica. Sesta é o descanso que se faz depois do almoço. E sexta é o dia da semana considerado um dia de azar, talvez porque Cristo foi crucificado numa sexta-feira.
VOCÊ QUER COM CEDILHA OU SEM CEDILHA?
Cedilha é o sinal gráfico usado para mostrar que o c, diante das vogais a, o, u, em determinados casos pronuncia-se como um s. O cê cedilhado é um tempero fundamental no idioma, mas quando se coloca demais, fica intragável, como quando se escreve voçê. Neste caso, basta responder "não, obrigado".
CACOGRAFIAS PARA DAR E VENDER
Cacografia é como se chamam erros ortográficos do tipo: aza em vez de asa, rasoável em vez de razoável, paíz em vez de país, sugeito em vez de sujeito, empreza em vez de empresa, e outras surpresas!
AS IDÉIAS E O CHAPÉU DO HERÓI
Todas as vezes em que aparecer os encontros vocais ei, eu e oi abertos, acentuam-se, como em idéia, azaléia, colméia, céu, véu, chapéu, herói, anzóis, Niterói e outros óis, éis e éus.
ATÉ QUE O HÍFEN AS SEPARE
A maioria das palavras vive se separando, mas é preciso lembrar que algumas letras são contra o divórcio. Os dígrafos ch, lh e nh, por exemplo, jamais se separam: ma-cha-do, mo-lha-do, a-sa-nha-do. Vivem juntas, até que a morte as separe!
PONTUAÇÃO
TUDO IGUAL UMA VÍRGULA!
Entre muitas funções, a vírgula é utilizada para indicar intercalações de expressões que corrigem ou tornam mais precisa uma sentença: Você poderia, por exemplo, comprar um carro; você poderia, ou melhor, você deve comprar um carro; você, aliás, nós dois poderíamos comprar um carro.
AS RETICÊNCIAS...
Para que servem as reticências? Uma de suas funções é fazer com que o leitor complete por conta própria o sentido da frase: O juiz expulsou dois jogadores do Palmeiras, o que para este time foi ruim, mas para o adversário...
UMA FUNÇÃO DO PONTO-E-VÍRGULA
Uma das funções do ponto-de-vírgula é separar os itens de uma enumeração. Veja o exemplo. Numa dica, devemos levar em conta:
a) em que medida é útil;
b) se o exemplo é adequado;
c) até que ponto é atual.
PONTO-E-VÍRGULA
No cursinho, um pré-vestibulando perguntou: Professor, como usar o ponto-e-vírgula? E o mestre não hesitou: Para evitar confusão, é melhor não usá-lo. Errado. O ponto-e-vírgula deve ser usado, sim, em pelo menos duas ocasiões: para produzir pausa mais forte que a indicada pela vírgula e menos forte que a indicada pelo ponto; ou para separar orações com certa extensão, sobretudo se já possuem partes separadas por vírgulas simples.
O PODER DAS VÍRGULAS
A pausa na leitura que as vírgulas indicam pode ser útil para enfatizar algum trecho do que escrevemos. Por exemplo, uma coisa é escrever: "Este livro que eu comprei é muito bom", e outra é acrescentar aqui duas vírgulas: "Este livro, que eu comprei, é muito bom". No segundo caso, enfatiza-se que quem comprou o livro deve ser melhor que o próprio livro...
E AGORA, JOSÉ?
O vocativo é a palavra que serve para chamar alguém ou um animal. Se estiver no meio da frase, vem entre vírgulas. Se estiver no início, põe-se uma vírgula depois. Se vier no final, põe-se uma vírgula antes. Vejamos: José, e agora? E agora, José? Mas, José, e agora?
PREPOSIÇÃO
CÁ ENTRE NÓS
Os verbos exigem determinadas preposições, mas as preposições também têm as suas prerrogativas. Vejamos o caso de entre. É comum ouvir pessoas falarem: entre eu e ele... o certo, porém, é entre mim e ele. Certo também é: entre ela e ti, e jamais entre mim e tu. Repetindo, para não esquecermos mais. O correto é falar e escrever: entre mim e ele, entre eles e mim, entre ti e mim, entre nós e ti.
EM QUANTO E ENQUANTO
Em quanto é uma expressão formada pela preposição em e o pronome quanto. Usa-se em frases como: em quanto tempo você lê essa dica? Já enquanto é uma conjunção, como neste caso: enquanto eu lia essa dica, o telefone tocava.
SABER PERDER
Os verbos pedem preposições específicas para expressar seu significado, e errar nessa escolha atrapalha tudo. Perder é um exemplo. Qual é o uso certo? Falar meu time perdeu do seu ou perdeu para o seu? Perder de está errado. As regras do jogo mandam o seguinte: quem perde perde para alguém. O Brasil perdeu para a Holanda. Já o verbo ganhar, ao contrário, exige a preposição de. Eu ganhei do meu adversário, o Brasil ganhou da Holanda, ganhamos de todos.
QUE VEM DEPOIS DE PERANTE?
É comum ler e ouvir pessoas usando a preposição a depois da preposição perante. Uma preposição de cada vez! Perante o pai e não perante ao pai; perante ele e não perante a ele; perante todos e não perante a todos.
PRONOME
ESTOU FORA!
A expressão estar fora de si, isto é, perder o controle emocional, perder as estribeiras, tem o pronome alterado de acordo com o sujeito: eu fiquei fora de mim, tu ficaste fora de ti, ele ficou fora de si, nós ficamos fora de nós e eles ficaram fora de si.
TODO NÃO É TUDO
Todo (pronome indefinido) estudante gosta de estudar significa que qualquer estudante gosta de estudar (mas pode haver exceções), ao passo que a frase todo o estudante está sujo significa que um estudante inteiro, dos pés à cabeça, está sujo.
QUANDO ALGUM É NENHUM
A posição de uma palavra na frase pode mudar totalmente seu sentido. Quando o pronome algum vem antes do substantivo - "eu tenho algum dinheiro" - é porque eu tenho um pouco de dinheiro. Já a frase "não tenho dinheiro algum" significa o contrário, que estou sem nenhum dinheiro.
ONDE ESTÃO ESTES E ESSES?
Este (bem como esta e isto) refere-se ao que está próximo. Esse (bem como essa e isso), ao que está distante. Isto vale também quando usamos os dois pontos. Antes dos dois pontos, este. Depois dos dois pontos, esse. Veja - "eu quero isto: a felicidade" e "a felicidade: isso é o que eu quero".
SIMPATIAS E ANTIPATIAS
Quem simpatiza ou antipatiza com alguém não precisa usar o pronome se. Simpatizar-se ou antipatizar-se só se usam quando se trata de uma experiência mútua, em que dois seres sentem a mesma simpatia ou antipatia. Por exemplo: simpatizando-se na hora, Maria e João começaram a conversar.
REGÊNCIA VERBAL
VISÕES E VISÕES
O mesmo verbo visar tem duas regências diferentes. Visar o alvo, visar a rua, visar o amigo são exemplos de visar no sentido de olhar. Visar às metas, visar ao diploma, visar ao sucesso são exemplos de visar no sentido de ter por objetivo, almejar.
TANTO FAZ
O certo é estar em pé ou estar de pé? Tanto faz. O certo é acostumado com o barulho ou acostumado ao barulho? Tanto faz. O certo é não me compare a você ou não me compare com você? Tanto faz. O certo, afinal, é renunciar o cargo ou renunciar ao cargo? Sim, é isso mesmo, nesses casos, tanto faz.
VOCÊ TRABALHA DE SÁBADO?
Há pessoas que trabalham de segunda, de terça, de quarta, de quinta, de sexta, de sábado e até de domingo. Ufa! Apesar de tanto esforço, o correto mesmo é trabalhar aos sábados, se for necessário, mas nunca aos domingos, porque, afinal de contas, ninguém é de ferro!
MEDIDAS DE SEGURANÇA
É menos doloroso bater à porta do que na porta. É mais seguro ficar à janela do que na janela. E se já é perigoso dormir ao volante, que dirá no volante. Por isso, atenção à regência verbal: a próxima vítima... pode ser você.
SINTAXE
MEDIDAS URGENTES
Na medida em que e à medida que são usadas em momentos diferentes. Na medida em que vocês concordam, nós também concordamos (a locução exprime relação de causa). À medida que vocês iam chegando, nós ficávamos mais confiantes (esta conjunção exprime desenvolvimento gradual).
ONDE ESTÁ O CUJO?
O pronome relativo cujo ainda existe, e corresponde a expressões como do qual ou de que, entre outras. A casa, cujo teto está quebrado, por exemplo, poderia ser também: A casa, da qual o teto está quebrado. Mais adequado, porém, neste caso, é usar o cujo. O que não se deve fazer é escrever ou falar: A casa que o teto está quebrado.
EM FUNÇÃO DE QUÊ?
Tornou-se comum a expressão em função de em frases como "cheguei atrasado em função do trânsito" ou "ele morreu em função de uma pneumonia". No entanto, em função de significa finalidade e não causa. Se cheguei atrasado foi por causa do trânsito e se ele morreu foi em virtude da pneumonia. Certo é dizer: "ele vive em função do dinheiro", ou seja, ele vive para o dinheiro, com a finalidade de ganhar dinheiro.
CONJUNÇÕES REDUNDANTES
É redundante dizer: mas porém, mas contudo, mas no entanto, mas entretanto, mas todavia. A conjunção mas é suficiente para expressar o sentido de oposição e contraste da frase a que dá início.
Ó SUZANA...
Ó é uma interjeição utilizada na construção de um vocativo: Ó Suzana, não chores por mim! Ó querido, venha para casa! Ó rapaz, cuidado com o carro! Já a interjeição Oh, embora parecida, tem outra função. Vem isoladamente, seguida de um ponto de exclamação, e exprime admiração e surpresa: Oh! Ele chegou mesmo com essa chuva!
SUBSTANTIVO
FATO CONSUMADO
Em cardápios ou convites é comum ler a expressão consumação mínima. A idéia é que a pessoa tem de consumir um valor mínimo em bebidas e petiscos. Mas o substantivo que corresponde ao verbo consumir é consumo. Consumação, por sua vez, corresponde ao verbo consumar, que significa chegar ao fim, à perfeição. Embora o erro esteja muito arraigado, o certo mesmo, no caso de restaurantes e bares, é falar em consumo mínimo.
SOMATÓRIO OU SOMATÓRIA?
A força do uso pode um dia vencer, e transformar o que hoje é considerado errado em norma a ser obedecida por todos. Por enquanto, porém, o certo continua a ser somatório e não somatória, como se ouve dizer e se vê escrever. O somatório das taxas, dos votos etc. ainda é o modo correto.
NA ERA DO SUPORTE TÉCNICO
Essa expressão "suporte técnico" não é nossa. Passamos a usá-la sob a influência dos às vezes mal traduzidos manuais técnicos, em que a palavra inglesa support é usada no sentido de manutenção e apoio. Prefiramos, então, "assistência técnica".
ERA UM BIQUÍNI AMARELINHO
A palavra biquíni é acentuada, desde que a palavra bikini, nome de uma ilha do oceano Pacífico, incorporou-se à nossa língua e às nossas praias. A regra é esta: toda a paroxítona terminada em i é acentuada, como táxi, safári, beribéri, cáli, júri etc.
UM EXERCÍCIO CANSATIVO
Às vezes parece mais fácil fazer mil abdominais do que manter-se vigilante para não cometer erros gramaticais. A propósito, são os mil abdominais ou as mil abdominais? O exercício para o abdome (sem acento mesmo) é o abdominal, no masculino.
MUDANÇA DE HÁBITO
Como tratar pessoas que ocupam cargos importantes? Um cardeal é Vossa Eminência. Um ministro é Vossa Excelência. Um prefeito também. Um reitor é Vossa Magnificência. Um padre é Vossa Reverendíssima. Um gerente de banco é Vossa Senhoria. Um coronel também. E o papa é Vossa Santidade. Se estamos acostumados a chamar todo mundo de você, é melhor mudar de hábito...
1º DE MAIO
O que comemoramos no dia primeiro de maio? Quem respondeu o Dia do Trabalho, deveria trabalhar em dobro nesse dia. Comemoramos o Dia do Trabalhador, em analogia com outras datas ao longo do ano em que lembramos o jornalista, o médico e a secretária. Esse feriado nasceu para homenagear operários mortos durante uma passeata no dia 1º de maio de 1889, em Chicago.
VERBO
Ele reouve o que lhe roubaram
O verbo reaver não se conjuga integralmente. Não se fala, por exemplo, eu reavo (primeira pessoa do presente do indicativo). Neste caso, usa-se outro verbo: eu recupero, eu retomo. No pretérito perfeito é assim: eu reouve, tu reouveste, ele reouve, nós reouvemos, vós reouvestes, eles reouveram.
MATARAM O PRESENTE DO SUBJUNTIVO
Você quer que eu vou ao banco? Você quer que eu tiro xerox? - perguntou o rapaz ao seu chefe. Não é difícil ouvir pessoas que, com a maior naturalidade, matam o presente do subjuntivo. Confundem o presente do indicativo com o presente que expressa uma hipótese, uma possibilidade. "Você quer que eu vá ao banco? Você quer que eu tire xerox?" é o correto.
HAJA VISTA OU HAJA VISTO?
O certo é haja vista, que é locução invariável em todos os casos: "haja vista os gastos realizados", "haja vista o quanto eu sofri" etc. O sentido da expressão é: veja isso, tenha em vista isso, levemos em conta o que é oferecido à nossa vista, aos nossos olhos.
SE EU TIVER E SE VOCÊ MANTIVER...
É comum ouvir a seguinte construção: se eu manter a calma, se você manter as coisas assim, se ele manter a vantagem... E o certo é conjugar o verbo manter no futuro do pretérito como um derivado que de fato é do verbo ter. Portanto, se eu tiver e se você mantiver a calma...
HÁ CEGUEIRAS E CEGUEIRAS
Dependendo da preposição, podemos ter dois tipos diferentes de cegueira. Quem é cego para não tem sensibilidade: "ele é cego para a arte". Quem é cego por está obcecado, alucinado por alguma coisa: "ele é cego por exposições de arte".
VÍCIOS DE PRONÚNCIA
Apofonia: Isso tem cura?
Vários nomes que, no singular, possuem na sílaba tônica um o fechado — povo, poço, glorioso e olho — no plural experimentam mudança de timbre. As palavras povos, poços, gloriosos e olhos são pronunciadas com o o aberto. É o caso também de novos, porcos e coros. Este é um exemplo de apofonia. E como toda a regra tem a sua exceção, gostos, tronos e bolsos têm o o tônico fechado.
Que pobreza!
O certo é mendicância e não mendigância, como algumas pessoas falam. Ocorre aqui uma contaminação fonética indevida por causa do verbo mendigar.
UM ERRO QUE NÃO DÁ PARA DISFARÇAR
No dia-a-dia, certas palavras tendem a mudar de rosto. Já se vêem pessoas falarem (e escreverem) desfarce em lugar de disfarce. Talvez a confusão se deva à semelhança com o verbo desfazer, por meio de contaminação fonética.
A VOZ DO POVO NEM SEMPRE É A DO DICIONÁRIO
Esmagrecer, probrema e guspe, em lugar de emagrecer, problema e cuspe, são formas populares de falar que não devem ser usadas quando nos é exigido seguir a norma culta do idioma. Não desprezemos quem fala probrema, mas saibamos sempre a solução.
CONVERSA PRA BOI DORMIR
Até no açougue é preciso falar bem. Quando queremos comprar a parte traseira acima das coxas do animal, devemos pedir alguns gramas ou mesmo um quilo de coxão. Trata-se do aumentativo de coxa. Há quem fale colchão, mas isso já é conversa pra boi dormir.
OLHA O ASTERISCO LÁ NO CÉU!
Há pessoas que falam asterístico, para designar a estrelinha que, nos teclados do computador, geralmente fica acima do número 8. O nome deste sinal (*) é justamente o diminutivo de astro com uso do sufixo isco, como em marisco e chuvisco. Ninguém fala chuvístico, certo?
É ASSIM QUE COMEÇA!
Muitos usos incorretos no idioma nascem do desconhecimento e da falta de exercício para pensar e falar melhor, como aquela senhora que foi ao médico e comentou: "Sabe o que é, doutor... o meu marido é onipotente". É assim que começa!
POUSO FORÇADO
O certo é pouso forçado e nunca poso forçado. Uma coisa é pousar no sentido de descer, outra é posar no sentido de servir de modelo: ela posou, isto é, fez poses para o fotógrafo.
NÓS NÃO FALAR PORTINGLÊS
Devemos aprender outras línguas, mas não permitir que as outras línguas empobreçam nosso idioma. É comum ver na televisão a palavrinha vivo, no canto da tela, quando a transmissão é feita ao vivo. Trata-se de uma tradução mal feita de live. Outro problema: "Breve em sua locadora". Os donos das videolocadoras deveriam traduzir o advérbio soon por em breve.
UM PORCO, QUANDO MENOS SE ESPERA
Por cada é um cacófato que lembra porcada. No lugar de por cada pacote podemos escrever por pacote. No lugar de por cada dia de trabalho podemos escrever por dia de trabalho, e assim por diante.
fonte: www.terra.com.br/vestibular/gabriel/ grama/g_index.htm

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